Mobilidade digital: revolução tecnológica e comportamental

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Commentário   |   Comunicação

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A Internet surgiu, basicamente, para armazenar informações militares em meio à Guerra Fria. De lá para cá, revolucionou o mundo e carrega a característica da reinvenção constante. Passou por momentos de euforia – época da bolha especulativa da década de 1990, que viria a estourar no começo dos anos 2000, causando o fechamento de muitas empresas “ponto.com”, como eram chamadas na época. Mas no ano de 2004, momento conhecido como o despertar da segunda geração de comunidades e serviços, iniciou-se uma nova era.

Mobilidade digital

Quase uma década depois, o termo em voga é mobilidade digital, essencialmente ligado ao conceito web 2.0, que indica a segunda geração da Internet e se funda na web como plataforma, envolvendo aplicativos baseados em redes sociais e tecnologia da informação. Tudo isso mudou a forma como ela é encarada por usuários e desenvolvedores. Na prática, pode-se dizer que o período caracteriza-se pela possibilidade de as pessoas compartilharem informações, imagens, vídeos e arquivos de áudio e o que mais quiserem em seus blogs ou nas redes sociais.

O hoje considerado fenômeno trouxe nova face ao mundo dos negócios e influencia drasticamente a maneira como as pessoas interagem socialmente. Mais do que isso, tirou a exclusividade de se realizarem certas atividades apenas por meio do desktop – o computador convencional -, abrindo espaço para novas possibilidades de comunicação nessa imensidão de oceano chamado Internet.

Enviar emails e consultar redes sociais pelo celular, realizar uma ligação gratuita pelo Skype, ler o jornal pelo tablet envolveram e conquistaram a todos, de crianças a idosos, para estudo, trabalho ou divertimento. São atividades distintas, mas com um aspecto similar: a utilização da Internet sem recorrer à rede aberta.

E é isso que atrai a atenção das grandes empresas do setor. Prova disso foi a declaração de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, na Conferência TechCrunch Disrupt, no ano de 2012, em São Francisco – EUA: “O Facebook é agora uma empresa móvel”. Prioridade também do Yahoo, que acredita que “o futuro está nos dispositivos móveis e na personalização de serviços”, como afirmou a CEO da companhia, Marissa Mayer, em julho de 2012, em sua primeira entrevista à televisão americana após assumir o cargo na empresa.

Do mar às nuvens

Outra importante aliada dessa tecnologia é a plataforma conhecida como “nuvem”. Os serviços e aplicativos da cloud computing, ou computação nas nuvens, são apontadas como passo para tornar definitivamente obsoletos os computadores como os conhecemos hoje. Isso porque toda a informação poderá ser armazenada virtualmente. Assim, os computadores do futuro seriam apenas chips conectados à Internet, pois na grande nuvem estariam, inclusive, os diversos programas que utilizamos. Esses computadores ficariam muito mais ágeis e também muito mais baratos, solucionando, portanto, outro problema: a inclusão das camadas mais pobres da população no mundo digital.

smart-20121202142328Âmbito tecnológico

Tudo isso vem gerando o que o mercado chama de soluções móveis, que usufruem da proliferação dos smartphones e tablets, combinação que abre possibilidades para a oferta de novos serviços.

Segundo Marco Tahara, gerente Sandvik Coromant da Área de Serviços no mercado das Américas, vivemos um momento de quebra de paradigmas. “Estamos mais disponíveis, podemos economizar tempo e estarmos visíveis ao mundo”, diz o especialista, que acredita que a rápida evolução desse fenômeno se explica pelo fato de que a sociedade como um todo buscava e busca estar mais conectada. “E é claro, com uma grande participação da visão de Steve Jobs (cofundador da Apple), que habilmente aliou desejo, necessidade e tecnologia de ponta”, lembra. Essa tecnologia hoje se materializa nas pontas dos dedos que manipulam diversos aplicativos: os já populares softwares que rodam em dispositivos móveis como smartphones, tablets e kindles (leitores de livros).

Reflexo no consumo

A mobilidade já alcançou todos os tipos de negócio e está modificando os hábitos de consumo e entretenimento, além da interação entre colaboradores de uma mesma companhia. Novos aplicativos são desenvolvidos todos os dias e proporcionam a seus usuários o acesso, à hora que quiserem e onde estiverem, a tudo o que necessitam naquele momento: de livros digitais a conta bancária, jogos virtuais a cursos à distância.

A diversidade de serviços é vasta, abrangendo turismo, comércio, saúde. Temos a possibilidade de agendamento de consultas médicas ou ajuda para seguir dietas, acompanhando diariamente a alimentação e a prática de exercícios do paciente. Para o transporte público existem mapas, horários e linhas de ônibus mais próximas ao local em que nos encontramos.

Munidos de recursos como sistema de localização por satélite, câmera e acesso à rede sem fio, o uso de computação móvel passou a ser sinônimo de liberdade, sendo possível explorar diversos sistemas a partir de qualquer lugar.

imagesCarteira eletrônica

No âmbito comercial, a conta só melhora. O comércio digital se populariza à medida em que os smartphones se tornam cada vez mais acessíveis financeiramente e com aplicativos de fácil utilização. Comodidade e segurança são palavras que passaram a ser cruciais nesse tipo de negócio. Cria-se, então, o fenômeno da carteira eletrônica, já em plena utilização no Japão, Europa Central e América do Norte.

E o Brasil caminha na mesma direção. Pesquisa inédita realizada pelo Google, em parceria com o instituto Ipsos, em 40 países, revelou que a parcela de brasileiros que usa aparelhos celulares para comprar supera a alemã e a francesa. Sob o título “Our Mobile Planet”, o estudo de 2012 constata que, apesar do número de usuários de smartphones no país ainda ser baixo (14%), a atividade é alta se comparada mundialmente.

O espectro geral permite enxergar a dimensão dessa plataforma. Conforme a revista Harvard Business Review, a China ultrapassou os Estados Unidos e lidera o mercado de smartphones com mais de um bilhão de usuários de aparelhos celulares; desses, pouco mais de 400 milhões utilizam a web mobile. A previsão é de que, em 2014, sejam realizados mais de 76 bilhões de downloads de aplicativos mobile.

Aliado na indústria

Disponibilidade e velocidade são palavras que fazem a diferença tanto na vida das pessoas quanto nos processos produtivos. Nesse contexto, poder tomar decisões rápidas e estar alinhado com pessoas de uma mesma equipe em diferentes locais ao mesmo tempo trazem ganhos consistentes em produtividade. “Negócios são feitos de maneira mais eficiente hoje, independentes até de fronteiras ou distâncias”, afirma Tahara.

A tecnologia móvel passou a ser um eficiente auxiliar na gestão. Segundo o especialista, ajuda também a reduzir erros, fator que contribui para a queda dos custos na relação entre cliente e fornecedor. Tahara nos leva a considerar “quanto tempo as pessoas gastam hoje para atender e entender seus fornecedores? Esse tempo cai drasticamente quando se pensa em trabalhar em sistemas de parceria e confiança com fornecedores sérios”. Ele acrescenta ainda que “toda a burocracia de um mundo de cotações, pedidos, negociações e devoluções – por erros de processamentos – caem de maneira vertiginosa, pois uma vez negociada uma rotina confiável de negócio, basta acompanhar os relatórios de resultado – que podem chegar automaticamente em nossos equipamentos móveis”.

downloadCapa amarela virtual

Pioneira na utilização dessa tecnologia no setor metalmecânico, a Sandvik Coromant conta hoje com dez aplicativos oferecidos em nove idiomas, tanto para iPhone e Ipad (IOS) quanto para equipamentos com o sistema operacional Android. E há intenção de disponibilizá-los em outras línguas, conforme as necessidades do mercado.

Na busca de elementos que possam levar agilidade a seus clientes, a Sandvik Coromant aproveita essa nova oportunidade, por meio de uma equipe especializada que transforma necessidades do setor de usinagem em aplicativos que possam colaborar com os atuais processos e suas tendências.

O serviço funciona como uma “Capa Amarela virtual”. “Nossos aplicativos proporcionam uma disponibilidade de informações técnicas e específicas, tornando, desta forma, os nossos clientes mais produtivos”, explica Tahara. “Todos os dias estamos comprometidos em buscar maneiras de reduzir os custos envolvidos no setor produtivo e eliminar seus problemas. Para tanto, estamos sempre atentos em escutar o que as empresas possam nos dizer. Ter a mobilidade como nosso aliado nos dá uma tranquilidade e agilidade imensurável diante desses desafios”, conclui.

O florescer das novas revoluções

Muito além do ambiente dos negócios, outro tipo de revolução se mostrou possível por conta dos avanços tecnológicos. É a mobilização em massa. Equipados com telefones celulares e computadores, jovens de vários países vêm se organizando para manifestarem-se politicamente. Os eventos são transmitidos pela rede, permitindo que o mundo acompanhe diretamente os acontecimentos, sem o crivo ou interpretação da mídia tradicional. Agora, milhares de pessoas contribuem com a distribuição de informações – pessoas que já são denominadas “jornalistas cidadãos”.

Guilherme Baroli (jornalista)

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